A história do Golpe Kimura criado por Masahiko Kimura

Golpe Kimura

Masahiko Kimura aos 16 anos após 6 anos de judo, ele foi promovido ao 4º dan, após ter derrotado consecutivamente 6 oponentes, todos 3º e 4º dan.

Aos 18 anos,em 1937, Masahiko Kimura se tornou o mais jovem godan (5º dan de faixa preta) da história do judô, após derrotar 8 oponentes seguidos na kodokan.

Em outubro de 1935, ele ganhou seu 1º grande titulo, campeão japonês colegial, e foi o 1º estudante a ganhar a permissão de participar do campeonato japonês profissional, ele ganhou o campeonato.

Após o campeonato, ele comeu 13 (treze) tigelas de arroz e foi treinar, ele fez naquela noite 500 entradas (uchikomi,  treino de entradas para projeção), 1km de canguru (saltitos) e 500 golpes de karatê (com a faca da mão, ele treinava no makiwara socos também, para enrijecer os dedos e fortalecer a pegada).

Ele estava preocupado com o fato de ter tomado um wazari,e que por pouco não perdeu a luta, e chegou a conclusão de que, para manter o titulo pelos próximos 10 anos, ele teria que treinar muito mais que qualquer outro judoca.

Kimura passou a treinar 9 horas por dia, fazendo 1000 entradas, muito mais que seus rivais, que treinavam 3-4 horas por dia e faziam 300 entradas
Ele ganhou o campeonato japonês por 13(treze) anos seguidos.
Ele ganhou em 1940 o Ten Ran Shiai, um campeonato especial realizado na presença do imperador japonês.

Masahiko Kimura

Masahiko Kimura

Masahiko Kimura, veio ao Brasil à convite do jornal São Paulo Shinbun (periódico da colônia) para realizar uma série de lutas de pro-wrestling.
No final de julho de 1951, Masahiko Kimura, o número um do Japão, veio ao Brasil juntamente com dois companheiros lutadores (Kato e Yamagushi).

Masahiko Kimura, tinha 1,70m de altura, e 85kg, nasceu em 10 de setembro de 1917 em Kumamoto, Japão.

O “GIGANTE KIMURA

No Brasil diziam que Kimura era 40 Kg mais pesado que Hélio e dezessete anos mais novo, que teria declarado que se Hélio resistisse 3 minutos na mão dele poderia se declarar vencedor, etc.

Quanto ao tempo de luta, o próprio Hélio falou que com segundos Kimura o atirou ao chão e fez uma pressão tão grande que enquanto pensava se batia ou não desmaiou de olhos abertos, mas Kimura mudou de posição e ele acordou.

Em outro vídeo, Hélio disse ao fundo da dublagem japonesa que Kimura o pegou como se fosse um menino, que não viu no lutador nenhuma maldade ou grosseria. Quanto à diferença de idade, sabemos que, se Hélio nasceu em 1913 e Kimura nasceu em 1917, não poderia ser de 1’7 anos, ou de nove como o Rórion fala no vídeo da luta.

historia-do-golpe-kimura

Kimura e os Gracie, o “gigante” não parece ser tão grande…

Quanto à diferença de peso, basta olhar o vídeo da luta pra ver que não poderia ser de 40 kg. Kimura fala em sua autobiografia que havia um caixão na entrada do Maracanãzinho, que quando disseram que era para ele teve vontade de rir. Também diz que quando Hélio finalizou Kato em São Paulo, saíram carregando o “caixão de Kato”.

Ude garame ou Kimura Golpe conhecido pelo seu nome no Brasil

Ude garame ou Kimura Golpe conhecido pelo seu nome no Brasil

Faço uma ressalva quanto ao texto quanto ao fato de alegar que os Gracie lutariam um estilo de ju-jutsu em face do estilo do Kodokan. Eles aprenderam com um dos maiores nomes da Kodokan de todos os tempos, Mitsuyo Maeda, logo não eram ligados a nenhum estilo de ju-jutsu tradicional, embora na época pairasse muita desinformação, aliás, coisa que ainda hoje existe.

A luta de Kimura com Helio, diz Mehdi, “era uma piada”. Kimura concordou em demorar por 10 minutos, diz Mehdi, para fazer o dinheiro dos fãs valer a pena e começar a lutar depois deste tempo. Mehdi imitou a movimentação de Helio na luta, exagerando seu desajeitamento.

Aos Treze minutos da luta, Kimura finalizou Helio com uma chave de ombro, que os brasileiros agora chamam “Kimura” em sua honra (“não chame isto “Kimura”, Mehdi previne—é ude garami”).

Existia alguma conversa de combinar previamente o resultado real da luta, mas a embaixada japonesa advertiu severamente Kimura que se ele perdesse ele não seria bem-vindo de volta a sua casa no Japão.

Um certo grau de coreografia podia ser aceito mas para maior o campeão do Japão perder para um esquelético gaijin, isso seria demais.

Outro exemplo da atitude dos Gracie no que se relaciona a precisão, Mehdi diz que Kimura pesou 80 quilos, não os 100 normalmente reivindicados (ele me mostrou a um retrato dele e Kimura aproximadamente na época da competição; eles pareceram ser a mesma altura e peso, e Mehdi é mais ou menos 5 ’9″ e 80 quilos.

Por outro lado, Kimura pesou 86 quilos para sua final de judo shiai em Tóquio em 1949. É possível que ele tenha ganho alguns quilos durante os dois anos entre as competições.)

Hélio e Carlos Gracie receberam uma ligação de um jornalista amigo, que estava entrevistando os lutadores, com as seguintes palavras: “Hélio, estão aqui comigo os campeões mundiais de Jiu-Jitsu”. E foi assim que Hélio desafiou Kimura, que recusou o desafio:
“Na minha vitória sobre Hélio poderão alegar grande diferença de peso. Como tenho certeza que Kato vencerá com a mesma facilidade, acho melhor assim”, declarou aos jornais o campeão japonês, que garantiu que lutaria com Hélio, caso vencesse Kato, que pesava 75kg.

Kato havia sido apresentado no Brasil como o terceiro melhor do mundo, já de Yamagushi, bem mais pesado, os japoneses se recusaram a oferecer as credenciais.
Muito tempo depois, o Rorion deu uma mancada lá nos EUA ,ele falava sobre a luta de seu pai e os dois japoneses (Kato e Kimura), só que americano gosta de numeros e estatisticas. quando A Familia Gracie começou a fazer sucesso, foram logo investigar quem era o Kato e Kimura, fizeram uma pesquisa la no próprio Japão, na Kodokan mesmo.

Em poucos meses depois do primeiro UFC, a mídia especializada ja estava botando a limpo o que era verdade e o que nao era.
SR. Kato por exemplo, ele era simplesmente um quinto dan em judo, igual a duzias, que nunca se classificou no campeonato Nacional de Judo do Japão, enquanto Kimura foi campeao do torneio varias vezes.
SR. Kato era bom lutador de judo? sim! Claro. Foi grande mérito do Mestre Hélio ter finalizado o japonês, mas a questão toda era que o Rorion Gracie havia anunciando nos EUA (e falaram também no brasil) como sendo o segundo melhor lutador de jujutsu no mundo… essa estórinha foi por agua a baixo ja que o kodokan mantém os records de todos os seus lutadores, o exagero no tamanho do Kimura também, no livro do próprio Kimura, “my judô”, ele fala de seu peso, cerca de 85 kilos, longe do mostro pintado aqui no brasil, ele fala também de um lutador brasileiro, judoca sexto dan que enfrentou no brasil em 1955, quem seria?

Em uma entrevista no site Judoimfo.com, o entrevistador pergunta: “Qual estilo de jiujitsu você aprendeu?” Mas nos comentários estava que Maeda era judoca.

Hélio responde que nunca tinha ouvido a palavra “judô” antes de 1950, que os lutadores japoneses que enfrentara falavam em jiujitsu e não “judô”, que o judô veio associado ao esporte, o que era verdade, tanto que a imprensa toda chamava os lutadores Kato e Kimura de campeões de “jiu-jitsu”, apesar de, no Japão, já ter se pacificado a controvérsia há tempos.

O fato engraçado é que, Kimura em sua autobiografia, “my judô”, diz ser Hélio, professor de judô 6º dan e Waldemar Santana também . Pra nós brasileiros, Kimura e Kato eram lutadores de jiujitsu, pra eles, Hélio e Waldemar eram judocas.

Foto, Kimura no Kosen em 1937

Foto, Kimura no Kosen em 1937

Na primeira luta de Hélio e Kato, o público ocupava 1/3 do Maracanã, Hélio começou levando uma queda espetacular, mas aos poucos foi trazendo o Judoca para sua guarda.

Até o final do confronto, nada de interessante havia ocorrido até que nos últimos minutos do terceiro round, Hélio permitiu que Kato lhe aplica-se um “seoi-nague” e inverteu agilmente a posição, terminando montado, o que levou o público ao delírio. Kato foi salvo pelo gongo, e a luta terminou empatada. Ao final, Hélio surpreso disse ao seu irmão: “Eu posso vencer esse japonês”.

A segunda luta ocorreu em São Paulo, Hélio Gracie, bem mais confiante, soltou o jogo e após levar quatro quedas do Japonês o apagou com um estrangulamento da guarda fechada, faltando quatro minutos para o final do primeiro round.

Na volta para o Rio, Hélio fez a seguinte declaração para “O Globo”:
“Ele não percebeu que minha outra mão entrava-lhe diretamente na aba do Kimono. Estávamos portanto, tentando o estrangulamento, ambos com os golpes armados, mas Kato não conseguiu passar pela minha barragem de pernas, tornando o meu golpe mais eficiente e entrando então na fase decisiva da luta. […] Notei que o japonês largou para defender o seu pescoço, consumando a minha supremacia no golpe.

Apertei mais o golpe e Kato começou a desfalecer, diminuindo a pressão nos meu pulsos. Por isso continuei fechando o estrangulamento, chamando a atenção do juiz: “O japonês vai dormir”. O juiz não me ouviu, ou não me entendeu, mas, afinal, o larguei para o lado, caindo Kato pesadamente como um fardo.

Fui ao canto, enquanto Kato era socorrido, voltando a si somente segundos depois. Foi a maior emoção da minha vida, porque constatei que meu Jiu-Jitsu era superior ao dele.
Com a derrota de Kato, Kimura invadiu o ringue e desafiou Hélio Gracie.
A luta entre Kimura e Hélio estabeleceu um recorde de renda no Maracanã (339 mil cruzeiros), com direito à presença do vice-presidente da república, Café Filho.
Na luta com Hélio, Kimura o jogou repetidamente com IPPON-SEOI-NAGE, OSOTO-GARI, HARAI-GOSHI, imobilizou, estabilizou, imobilizou com KUZURE-KAMI-SHIHO-GATAME, KESA-GATAME, imobilizou, tentou estrangular e finalizar com chave – SANKAKU-GATAME, posteriormente, aplicou OSOTO-GARI, imobilizando mais uma vez através de KUZURE-KAMI-SHIHO-GATAME e, finalmente, finalizou através de uma chave de braço denominada UDE-GARAMI, tendo, em virtude disso, provocado a quebra do cotovelo do braço esquerdo do opositor em dois lugares.
O que os jornais da época não relataram e as pessoas nos dias atuais não sabem é que a luta de Kimura e Hélio durou apenas três minutos no chão, onde Hélio se dizia especialista, os primeiros dez minutos Kimura só derrubou Hélio com um repertório vasto de quedas, como Hélio não desistia mesmo diante de quedas violentas aluta foi levada para o chão.

Foram apenas cerca de três minutos no chão, é engraçado as pessoas não saberem desse detalhe da luta após tanto tempo…

Hélio declarou no dia seguinte:
“Kimura, como grande esportista que é, demonstrava surpresa quando constatava que eu tinha recursos técnicos para escapar dos golpes que ele me armava.

Com isso, logo compreendeu que teria que adotar outra tática para chegar a vitória: Martelar uma parte só do meu corpo. Suas seguidas chaves acabaram por quase inutilizar meu braço para a luta. Eu não esperava tamanha insistência no mesmo golpe. Fico com o consolo que só a superioridade física permitiu ao campeão realizar tantas vezes o mesmo golpe.”

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5 pensamentos sobre “A história do Golpe Kimura criado por Masahiko Kimura

    • Na verdade apenas os proprios Gracie falam que a diferença de peso era tão grande – ao mesmo tempo em que sempre disseram que o peso não importava para o Jiu Jitsu deles.

      Kimura era visivelmente mais pesado, mas não creio que fosse tanto assim. Nas fotos percebemos que ele é ligeiramente mais baixo que Helio, inclusive. Se fosse tão pesado estaria mais fora de forma, o que não se esperaria de um dos maiores judokas de todos os tempos, que era um viciado em treinamentos.

      A grande desvantagem da luta, na verdade, é que na época um campeão de nivel nacional (Helio) teve que enfrentar um campeão de nivel internacional. Hoje temos judokas/jiujiteiros de nivel internacional, mas na época não tinha.

  1. Ué, mas o jiu-jitsu dos Gracies não é o jiu jitsu que bate em pessoas de qualquer tamanho? Não era isto que o Rickson dizia? Pq levou pau até não aguentar mais?

  2. Toda historia e contada como se quer, nao como ela e perfeitamente.
    O marketing esportivo e um absurdo na grandeza de colocar lutadores no alto da piramite e ao mesmo tempo no fundo de um abismo. O fato e que realmente existiu a luta e nao como foi contada antes,durante e depois.

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